Economia

Com baixo consumo no comercio, polo industrial tem fraco desempenho no AM

Com a reabertura do comércio em Manaus, e em vários outros grandes centros consumidores do Brasil, ainda com muitas restrições, o volume de consumo no varejo segue baixo no país, o que afeta diretamente a produção industrial. Com alto volume de estoque encalhado, por conta da pandemia da Covid-19, o Polo Industrial de Manaus (PIM), segue produzindo com baixo desempenho e com vendas tímidas para o varejo.

De acordo com Aderson Frota,  presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas (FECOMERCIO-AM), mesmo com a aproximação do fim do mês de junho, o comércio ainda não conseguiu voltar ao seu pleno funcionamento. “Foi estabelecido que seria uma retomada gradual. Muita gente que estava no zero, conseguiu crescer em torno de 40% no que estava previsto. Ainda assim, não alcançamos a normalidade desde o período anterior à pandemia”. Explicou.

Frota esclarece que, desde o primeiro ciclo de reabertura, muitas pessoas só estavam ocupando os espaços comerciais da cidade para sair um pouco do isolamento de suas casas e não para fazer compras. “Seja pela falta de renda ou pelo medo de sair de casa, muitos estão optando por não gastar. Contudo, com o tempo, os consumidores começarão a atender melhor os mecanismos de proteção, as estatísticas de saúde favoráveis e o proceder diário em meio à pandemia, e voltarão a comprar”. Avaliou.

O presidente da FECOMÉRCIO-AM salienta que, por conta disso, muitas empresas que passaram 90 dias paralisadas e agora não estão conseguindo vender plenamente, não estão optando por renovar seus estoques. De acordo com Frota, esses empresários ainda estão se reorganizando para novos processos de venda e percebem que agora não é a hora de comprar, mas sim de recuperar o faturamento perdido.

“Esses empreendedores perderam o Dia das Mães, por exemplo, e mesmo com o Dia dos Namorados, ainda está difícil alcançar uma boa recuperação. Muitos ainda têm várias contas para pagar e realmente não parece viável estar comprando no momento”, explica Frota.

O presidente da Associação Nacional da Indústria de Eletroeletrônicos (ELETROS), José Jorge do Nascimento Junior, afirma que atualmente existe uma capacidade ociosa média de até 50% nas empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM). Ele afirma que ocorre em decorrência do estoque da indústria e do próprio varejo, que paralisou as vendas durante longo período da quarentena.

“O hábito de comprar não está de volta para os manauaras ainda, principalmente porque o comércio está voltando a funcionar em certo lugares, mas não em todo o país. Os grandes centros continuam com seus comércios fechados ou com uma restrição de abertura ainda muito grande. A economia não está em seu momento de plenitude”, observa o presidente.

Jorge Júnior diz ainda que o setor de eletroeletrônicos conta com uma particularidade que necessita de um consumo direto por parte da população. “Esse segmento utiliza-se de lojas físicas como o principal canal de escoamento de sua produção, ou seja, precisamos do consumidor final nas lojas. Esperamos uma reabertura plena de todo o varejo o quanto antes”. Ressalta.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), Antônio Silva, observa que os maiores consumidores do PIM são os demais estados brasileiros e estes apresentam uma escala ainda ascendente da pandemia, o que prejudica o comércio. “Não tem como esperar que a demanda se comporte num nível maior, quando ainda existem várias restrições tanto de movimentação da população, como de funcionamento dos estabelecimentos comerciais”.  Pondera.

Silva salienta que os estoques das fábricas da Zona Franca de Manaus (ZFM) estão em um patamar razoável para atender a procura atual e que só são planejadas produções adicionais de acordo com pedidos encomendados. “Os departamentos das empresas industriais planejam a produção de acordo com as projeções do futuro desempenho da demanda, o que ainda envolve muitas incertezas. Portanto, é preciso muita calma para podermos vencer essa etapa que se configura num processo lento de recuperação”, encerra.

Péssimo desempenho em março

Apresentando desempenhos negativos nas atividades ligadas à produção de motocicletas, bebidas e derivados de petróleo, a indústria amazonense encerrou abril com os piores resultados do país. No primeiro mês completo de medidas de contenção à Covid-19, o setor no Amazonas registrou uma queda de 46,5% em relação a março, maior que a média nacional (-18,8%), e de 53,9% diante de igual mês de 2020. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são os priores da série histórica iniciada em 2002.

“O mês de março na produção indústria do Amazonas teve um desempenho completamente atípico, uma vez que todos os indicadores mostram que o Estado ocupou as últimas posições de desempenho. Abril foi um mês completamente negativo para a indústria amazonense”, disse o supervisor de informação do IBGE Amazonas, Adjalma Nogueira Jaques.

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