25 de junho de 2021
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Os gastos com as ações militares que o Brasil realiza na fronteira com a Venezuela superam, com folga, a média anual dos custos que as Forças Armadas do País dedicaram às ajudas humanitárias no Haiti, um país devastado pela guerra civil e terremotos.

Nos últimos 12 meses, o governo sacou R$ 290 milhões dos cofres públicos para apoiar as ações militares em Roraima, na fronteira com o país governado por Nicolás Maduro. Isso equivale a mais que o dobro da média anual que o Brasil dedicou às operações no Haiti, entre 2004 e 2017. Na média, nos 13 anos da missão realizada no país caribenho, foram injetados R$ 130 milhões por ano pelo Brasil.

600 militares trabalham nas fronteiras do país

Atualmente, o efetivo de oficiais brasileiros deslocados para os trabalhos na fronteira é de 600 militares, entre agentes da Marinha, Exército e Força Aérea. O governo brasileiro mantém, em alojamentos, 8.500 venezuelanos refugiados. “Cada uma dessas pessoas precisa tomar café, almoçar e jantar todo dia. Numa conta rápida, são mais de 25 mil refeições, diariamente. Por isso, o custo é muito maior mesmo.” Comentou um oficial da missão.

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, afirmou que o governo já admite a necessidade de colocar mais dinheiro nas ações, mas que avalia como isso será feito, para que não afete o orçamento da própria pasta. “O presidente determinou que houvesse aporte de mais recursos para dar continuidade ao trabalho da Operação Acolhida.”

Generais: De Brigada Bessa-Cmt. 1ª Bda, Inf, Sl. De Divisão Omar. COp-CMA, de Exercito Teóphilo Cmt.CMA e Divisão Barros. Cmt. Operação Acolhida

O Ministério da Defesa, a Casa Civil e o Ministério da Economia avaliam a forma como esse aporte será feito, afirmou Silva. “Vale destacar que a Operação Acolhida tem sido muito elogiada, virou referência. É um trabalho conjunto de várias instituições e entidades.”

Os quase 300 milhões que o governo já usou para lidar com a crise na fronteira com a Venezuela saíram do Tesouro Nacional, em créditos extraordinários sacados em março e novembro do ano passado. Medidas provisórias liberaram a verba para os programas de assistência emergencial, segurança na fronteira, acolhimento humanitário e interiorização de venezuelanos no Brasil.

Manaus: opção para venezuelanos

A cidade de Manaus tem sido a segunda parada para muito refugiados venezuelanos que, com a demora em conseguir trabalho ou regularização de suas situações em Pacaraima e Boa Vista, partem rumo à Zona Franca. Atualmente, há 13 abrigos montados em Roraima, sendo 11 deles em Boa Vista e dois em Pacaraima, na fronteira com a Venezuela. Os abrigos foram organizados para receber, separadamente, mulheres solteiras, homens solteiros, casais com e sem filhos, LGBTs e indígenas.

Em Manaus já houve uma ação integrada do Governo do Amazonas com o Ministério Público, Prefeitura de Manaus e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) fez a realocação voluntária de 230 refugiados venezuelanos que estavam dormindo no entorno da rodoviária de Manaus. Eles foram levados para espaços provisórios da Prefeitura da capital, mas n ão demorou para que voltassem ao local. A ação mirou pessoas de maior vulnerabilidade, idosos, mulheres, gestantes e famílias com crianças. A ONU informou que 3 milhões de venezuelanos deixaram o país nos últimos anos, o equivalente a 10% de sua população total.

Famílias de venezuelanos levadas a abrigos retornaram ao entorno da rodoviária de Manaus

Enquanto o Brasil faz esforço de guerra para prestar ajuda humanitária; a elite chavista esbanja riquezas

Venezuela, onde cerca de 90% das pessoas vivem na pobreza e a inflação atingirá 10.000.000% neste ano, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). Com o salário mínimo em torno de US$ 5 (R$ 20), a maioria das pessoas tem dificuldades de pagar por uma dúzia de ovos ou um simples saco de arroz.

Mesmo com a crise que assola a Venezuela, os filhos da elite e dos apoiadores do ex-presidente Hugo Chávez, morto em março de 2013, aproveitam a ‘boa vida’ e curtem ostentar riqueza nas redes sociais; qual é o caso de Daniella Cabello, filha do mercenário e conselheiro de Maduro, Diosdado Cabello.

Diosdado e Daniella Cabello

Os parentes do ex-chefe do país gostam de circular em jatinhos privados, se hospedar em luxuosos hotéis e posar com maços de dólares. A mais famosa filha de Chávez, representante da nova elite bolivariana, é Maria Gabriela Chávez.

Maria Gabriela Chavez  Vice-embaixadora na ONU

De acordo com a revista Forbes, a “Heroína”, como era carinhosamente chamada pelo pai, possui US$ 4 bilhões em bancos europeus e americanos, o que lhe confere o título de mais rica da Venezuela. Maria Gabriela vive em Nova York, onde exerce o cargo de vice-embaixadora na ONU. A filha mais nova do ex-presidente, Rosinés Chávez, estuda atualmente na Universidade Sorbonne, em Paris, e é frequente nas publicações das redes sociais. Rosinés adora posar ao lado de celebridades e de carros de luxo.

A caçula de Chávez ficou famosa em 2012, quando decidiu postar, no Instagram, uma foto com um leque de notas de dólares. A atitude provocou a ira dos venezuelanos.

Rosinés Chávez, caçula de Chávez, com notas de dólares na internet

Nicolasito, filho de Nicolás Maduro, também prefere viver em Caracas, onde acumula cargos de deputado, coordenador de uma escola de cinema e diretor de uma agência ligada à vice-presidência. Em 2015, ele foi filmado no casamento de um empresário, no Hotel Gran Meliá, na capital, Caracas, dançando enquanto notas de dólares eram jogadas sobre sua cabeça.

Maduro ainda tem dois enteados, filhos da sua mulher Cilia Flores. Um deles é Yoswal Flores, de 30 anos, sem profissão conhecida. Desde que o padrasto chegou ao poder, ele só viaja em jatos privados e adquiriu uma estranha paixão por carros de luxo e motocicletas de alta cilindrada. Em 2017, ao lado do irmão, Walter Flores, torrou US$ 45 mil em 18 noites no Hotel Ritz, um dos mais caros de Paris.

Enquanto isso, os venezuelanos parecem viver em outra dimensão. O jornalista Jorge Ramos, da Univisón, maior TV em espanhol dos EUA, filmou alguns jovens comendo lixo em Caracas. Maduro não curtiu. Mandou prender a equipe e colocou todo mundo no primeiro voo para Miami. Como dizia o comandante Chávez, “o capitalismo é mesmo o reino do egoísmo”.

Silvio Caldas

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