5 de agosto de 2021
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Indagado pelo senador Eduardo Braga sobre a crise sanitária no Estado, o ex-ministro da Saúde disse que situação ocorrida em território amazonense destoa do resto do País

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta em depoimento prestado à CPI da Pandemia, nesta terça-feira (04), afirmou ao senador Eduardo Braga que não faltaram recursos federais para socorrer o Amazonas diante do avanço da Covid-19. “Não houve falta de dinheiro, e eles (Estado e municípios) tomaram as decisões da compra dos seus equipamentos”, disse. “Faltaram competência, gestão, transparência e fiscalização”, concluiu o parlamentar amazonense.

Mandetta enumerou fatores que podem ter culminado no colapso registrado nas unidades de saúde do Estado no começo de 2021 aos integrantes do colegiado. Entre eles, as substituições no comando da Secretaria de Estado de Saúde e os conflitos de gerenciamento entre Prefeitura de Manaus e Governo do Estado.

Indagado pelo senador Eduardo Braga sobre a crise sanitária no Estado, o ex-ministro da Saúde disse que situação ocorrida em território amazonense destoa do resto do País.

Descrição: Eduardo Braga apresenta voto em separado contra a reforma trabalhista —  Senado Notícias

“A impressão que eu tenho é de que lá houve uma interrupção. Eu falava com um secretário e, daqui a pouco, me ligavam e falavam: não, foi demitido aquele, agora vem um outro”, declarou. “Aí entrou uma secretária que não era de lá, que não conhecia a rede, não conhecia o ministério”, afirmou o ex-ministro, numa referência à biomédica paulista Simone Papaiz, que assumiu a secretaria em 8 de abril de 2020.

Diante desse cenário, o então chefe da pasta da Saúde contou ter enviado para a capital amazonense um grupo de médicos especialistas em gestão de crise para, segundo ele, “poder mediar o conflito entre prefeitura e Estado”.

Mandetta salientou que a sucessão de acontecimentos relacionados à crise da Covid-19 ocorrida em território amazonense destoa do que houve em outras unidades da federação. Ele se colocou, inclusive, à disposição para ajudar os manauaras a não passarem por uma crise sanitária que começou em 2019, com o surto de H1N1, se estendeu em 2020, com a primeira onda de Covid-19, e tomou proporções gigantescas no início deste ano, com cidadãos contaminados pelo coronavírus agonizando por falta de oxigênio e leitos e famílias enterrando seus mortos em valas comuns.

Sobre os protocolos, disse que, enquanto esteve à frente do Ministério da Saúde, foram definidos alguns, como o de suporte de oxigênio. “Nós começamos fazendo ventilação com alta pressão, depois de 60 dias eles viram que a pressão mais baixa do ventilador dava uma condição melhor, com ciclos menores. A padronização também foi a posteriori. A fisioterapia respiratória, inclusive, trabalhou demonstrando muita coisa por produção. Do início, nós saímos do zero e fomos construindo”, explicou. Ao responder o terceiro questionamento do senador amazonense, o ex-ministro declarou que a inexistência de uma educação continuada dos profissionais de saúde é um problema “muito grave” no Brasil. “A enfermagem brasileira está fazendo curso a distância. Há algumas coisas que são discussões pertinentes para esta Casa, de pano de fundo, que eu acho que essa pandemia vai exigir de todos nós uma reflexão muito séria sobre a qualidade desses profissionais”.

damasceno

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