5 de agosto de 2021
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O tema da volta às aulas de forma forçada e irresponsável com que as Secretarias de Educação do Estado (SEDUC) e de Man (SEMED) vêm conduzindo o retorno às atividades presenciais de Trabalhadores da Educação e estudantes, tem gerado polêmica entre as famílias de alunos e as classes estudantil e trabalhadora, visto que as secretarias de “educação” impuseram um sistema de aulas remotas com método absurdo e sem metodologia adequada, causaram terríveis transtornos a estas pessoas e agora querem piorar o problema com o retorno forçado, ou seja, aumentar o problema do adoecimento pelo vírus que ainda circula e que pode atingir milhares de famílias.

Método imposto e sem metodologia

Durante o período de isolamento social, imposto pela pandemia do novo coronavírus (covid-19), sob a justificativa de dar continuidade ao conteúdo escolar programado, as aulas presenciais foram sendo direcionadas para plataformas virtuais de ensino. E se recorreu de vez aos recursos educacionais digitais: aplicativos, sites e jogos online que eles dizem ser úteis para o ensino.

Além é claro, das videoaulas acompanhadas de atividades feitas por educadores, as quais devem ser assistidas e realizadas por estudantes (com auxílio dos pais/responsáveis), que depois fazem a devolutiva dentro da própria plataforma virtual, encaminhando as respostas de questionários, interagindo nos fóruns, fotografando ou filmando os processos de construção do conjunto de atividades; o que para a maioria é algo impossível.

Pode-se pensar que é a “Era Digital” se impondo no ensino durante a pandemia?

Dá para imaginar que todos vão migrar para o digital em condições de igualdade, incluindo a população mais vulnerável à pobreza? Será que os recursos educacionais digitais estão ao fácil alcance das mãos de toda a comunidade estudantil? Será que todas as famílias têm suficiente alfabetização digital e condições financeiras para auxiliar e possibilitar aos seus filhos o acesso e uso de ferramentas digitais? As respostas parecem óbvias. Não dá para desconsiderar ou fingir ser um problema menor, o que já se sabia antes da covid-19: a desigualdade digital.

Já se revelou que o lugar onde se mora define a inserção no mundo digital. As periferias de Manaus, igual a muitas outras do Amazonas, estão repletas de famílias com filhos em idade escolar que enfrentam sérios empecilhos para o acesso à rede mundial de computadores.

Dificuldades que vão desde não conseguir comprar um computador até a incapacidade de pagamento do custo dos equipamentos ou dos serviços de conexão. Daí serem classificadas, nas pesquisas, como “usuários de segunda classe”, por fazerem uso da internet com base em ferramentas mais limitadas, como telefones celulares, acesso de dados limitado e acesso em lugares públicos.

Por si só, a falta de acesso à internet e o uso exclusivamente por celular, notadamente entre as classes “D” e “E”, já escancaram o tamanho da desigualdade digital existente no Brasil. Conforme revela a pesquisa, em resumo; entre quem usa a internet apenas pelo celular e quem não possui banda larga fixa no domicílio; passa a ser muitíssimo menor a possibilidade de realizar atividades escolares, culturais, de trabalho e de serviços públicos on-line.

Diante dessa realidade, urgentemente neste contexto da pandemia (covid-19), cabe aos gestores públicos, em conjunto com a sociedade, construir medidas adequadas para enfrentar as desigualdades digitais e, consequentemente, promover e garantir o direito de acesso e uso seguro da internet a todos; incluindo as famílias em condições de extrema vulnerabilidade social; de acordo com o Marco Civil da Internet no Brasil.

Dificuldades no ensino a distância

Se a volta às aulas traz riscos de proporções muito grandes, a solução de atividades virtuais, que vem sendo colocada em prática, também não atinge a real necessidade de formação dos jovens brasileiros.

Sem planejamento do poder público, parte dos estudantes não consegue acompanhar o calendário por falta de recursos, como computadores, material didático e até acesso à internet. “Nesse modelo de ensino à distância, há custos com a internet e a disponibilidade de dispositivos não alcança 100% das crianças e dos adultos. Há uma desproporção no acesso à internet pelo celular em relação ao computador, mais adequado para o aprendizado.”, afirma a nota do Dieese.

Dados de 2017 mostram que 97% das pessoas com 10 anos ou mais tiveram acesso à internet pelo celular, mas pouco mais da metade tinha um computador à disposição. Somam-se a essa questão, as dificuldades de adaptação, acompanhamento e orientação no ambiente doméstico, observadas principalmente em famílias de menor renda. O cenário reforça a exclusão histórica de jovens periféricos.

A falta de condições adequadas de acompanhamento escolar que deveriam ser garantidas pelo poder público certamente trará consequências negativas na trajetória escolar desses alunos.

O foco do poder público deveria estar concentrado no envolvimento de professores e professoras na construção de soluções e em garantir que tanto eles quanto os alunos possam ter acesso aos dispositivos necessários para o acompanhamento remoto das aulas, sem que pais e familiares sejam expostos aos riscos, desnecessariamente. Os livros ainda são o melhor meio, mas isso não interessa às secretarias.

Volta forçada, risco declarado

Não é concebível a forma como a SEDUC tenta impor a volta às atividades presenciais sem levar em consideração a situação das escolas que em sua maioria não possui estrutura e equipamentos para o retorno seguro. Não existem equipamentos de proteção individual, não existem banheiros, pias, bebedouros, ar-condicionados que evitem a circulação do vírus e outros elementos nocivos que circulam no ar.

A manutenção das escolas é desde sempre precária e não há ações para solucionar problemas simples, quanto mais problemas graves como a circulação do vírus que ora tem apresentado resultado positivo em vários professores das redes estadual e municipal  de ensino.

É no mínimo uma atitude criminosa, antecipada de outra maldosa que foi a imposição de um método excludente e sem metodologia inteligível para estudantes e familiares, além de docentes que sofrem com a falta de respeito e seriedade que deveriam receber da SEDUC e SEMED.

O infame ensino remoto, além de não alcançar qualquer objetivo, ainda sobrecarrega professoras, alunos e familiares. Professoras têm que trabalhar forçosamente de 8:00 da manhã as 8:00 da noite. Sim, 12 horas de castigo diário e semanal, considerando que estas não têm descanso.

Os dias sempre são intensos. Preparar aulas, orientar pais e alunos, responder à coordenação pedagógica, ficarem horas longas e cansativas diante de um telefone e um computador, não ter nenhum auxílio para custos com internet, não ter vale refeição e vale transporte e ainda se verem obrigados a apresentar resultados para as famigeradas secretarias.

Dieese aponta os riscos

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) divulgou nota técnica em que alerta para os riscos do retorno das atividades escolares presenciais enquanto as infecções do coronavírus seguem fora de controle no Brasil. Segundo o documento, a suspensão das aulas é uma medida que tem respaldo de órgãos internacionais de defesa da saúde. Para o DIEESE, o planejamento de ações contra a covid-19 não pode colocar a perder os esforços realizados até o momento.

O estudo reúne uma série de dados que mostram o tamanho da população que será diretamente impactada e estará sob maior risco de contaminação retomada das atividades acadêmicas em sala de aula. Informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-C), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam mais de 123 milhões de pessoas em domicílios que possuem pelo menos um jovem de até 17 anos.

O Censo Escolar de 2019 mostra que o Brasil conta com 35,6 milhões de matrículas na Educação Básica. Entra essa população, há 23,1 milhões de crianças com até 12 anos de idade. Segundo o Código Penal elas ainda são consideradas incapazes e não podem ser deixadas sem a presença de um adulto. Esse número, portanto, mostra o contingente de jovens cidadãos que a lei obrigada a ter atenção e cuidados constantes. Mais de um terço das casas brasileiras têm crianças nessa idade. São mais de 98 milhões de brasileiros vivendo com pessoas que precisam da presença de um responsável e, em menor ou maior escala, serão afetadas pelo retorno das atividades.

A nota técnica ressalta ainda que este grupo também é composto por trabalhadores essenciais, profissionais da saúde e de outros setores que não estão mais praticando a quarentena em diversos municípios brasileiros. Ou seja, o risco de circulação do vírus atingiria diversos aspectos do cotidiano dessas famílias. “O debate sobre o fim da quarentena, sem o devido controle da pandemia e pensado no contexto das escolas, em termos de retomada das aulas presenciais, coloca não apenas o risco de aumento da contaminação, mas expõe, também, a falta de condições de milhões de famílias para fazerem o remanejamento do cuidado de seus filhos.”, diz o texto.

Dois pesos e dois castigos

Não é cobrindo as feridas abertas com esparadrapo que se vai resolver o problema. Isso nada mais é do que piorar o que já está ruim. É causar dor e sofrimento majorados a quem já sofre tanto com a falta de seriedade com que a Educação é tratada no Brasil, especialmente no Amazonas e particularmente em Manaus.

O descaso com a Educação é notável e escandaloso. Com a crise gerada pela pandemia criaram o monstro do ensino remoto sem nenhum estudo que mostrasse as condições das famílias, que mostrasse que a maioria não conseguiria acompanhar as tais aulas remotas, que os docentes ficariam sobrecarregados, que a maioria dos alunos sequer têm televisão, quem dirá computador ou telefone celular provido de internet. É muita maldade.

O pior de tudo, depois do golpe do ensino a distância que não ensina, só gera desgaste e cansaço, agora a SEDUC e a SEMED tentam impor a volta força às aulas presencias, mesmo tendo um grande número de trabalhadores da Educação adoentados, escolas sem estrutura, estudantes em risco de contaminação e disseminação, máscaras da SEDUC que parecem toucas de natação e a total e absurda falta de respeito com a nossa gente.

Diga não. Não permita que seus filhos voltem ao ambiente escolar num momento de incertezas. Já estamos chegando ao meio do segundo ano de pandemia. Não dá mais para recuperar conteúdos perdidos e não se deve correr o risco de perder a saúde e até a vida por vaidades e interesses espúrios de uma secretaria que parece ter pressa para justificar gastos e outra que cobre a corrupção da gestão anterior. Enquanto isso, deputados e vereadores assistem a tudo calados.

Ano letivo se recupera, vidas perdidas, jamais.

“Diga não. Pra ser ouvido seja positivo”.  (Heróis da Resistência). 

O autor é Policial Civil, Diretor do SINPOL-AM, Bacharel em Educação Física e Direito, Especialista em Segurança Pública e Direitos Humanos.

Colaborou: Jornalista Profissional Diplomado – Silvio Caldas. MTE-AM 416.

damasceno

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